Perdido nestes dias - pensamentos -
Tão pouco conversamos - dois olhares -
Como pode envolver-me assim teus ares?
Domado estou por tantos sentimentos!"
Pois hoje, à tarde tenho outros lamentos,
pois sonho nos teus olhos meus olhares,
pois sonho passear por mil lugares:
mão na mão, ao sabor dos quatro ventos...
e quando perceberes meus desejos,
- o turbilhão que guardo nos meus beijos -
(somente tu que não os imagina)
e vieres conversar comigo um dia:
seremos a fusão que irradia
- imensa correnteza que alucina -
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Minha música
Toda a delicadeza dos cetins,
toda a suavidade de uma brisa,
a voz leve entre seixos que desliza,
a soma dos aromas dos jasmins;
As flores coloridas dos jardins,
meu corpo único vício que precisa,
a beleza que as ruas paralisa,
rimas e versos e estrofes afins;
A calma que procuro quando acordo,
a imagem de mulher quando recordo,
a lágrima fluente no meu pranto;
Tu és meu movimento mais risonho,
tu és meu pensamento quando sonho,
tu és a melodia quando canto.
toda a suavidade de uma brisa,
a voz leve entre seixos que desliza,
a soma dos aromas dos jasmins;
As flores coloridas dos jardins,
meu corpo único vício que precisa,
a beleza que as ruas paralisa,
rimas e versos e estrofes afins;
A calma que procuro quando acordo,
a imagem de mulher quando recordo,
a lágrima fluente no meu pranto;
Tu és meu movimento mais risonho,
tu és meu pensamento quando sonho,
tu és a melodia quando canto.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
vendo o sol através destas vidraças
Cai a tarde impoluta sobre as ruas,
o mormaço invadindo-me as narinas:
ausência das tuas vozes assassinas,
os teus gestos, singelas bocas tuas,
fios d'ouro, cabelos singulares.
Esqueço-me perdido nas demoras:
pensamentos e sonhos pelos ares,
lentíssimas saudades pelas horas.
Oh, as ansiedades dilacerantes,
os desejos cruéis, desconcertantes,
e delírios e nuvens e fumaças...
Ao meu redor te sinto tão presente
pois surges como um anjo em minha frente,
vendo o sol através destas vidraças...
Cai a tarde impoluta sobre as ruas,
o mormaço invadindo-me as narinas:
ausência das tuas vozes assassinas,
os teus gestos, singelas bocas tuas,
fios d'ouro, cabelos singulares.
Esqueço-me perdido nas demoras:
pensamentos e sonhos pelos ares,
lentíssimas saudades pelas horas.
Oh, as ansiedades dilacerantes,
os desejos cruéis, desconcertantes,
e delírios e nuvens e fumaças...
Ao meu redor te sinto tão presente
pois surges como um anjo em minha frente,
vendo o sol através destas vidraças...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Enganei-me, enganei-me - paciência!
acreditei as vozes, cri, Ormia,
que a tua singeleza igualaria
à tua mais que angélica aparência.
Enganei-me, enganei-me - paciência!
ao menos conheci que não devia
pôr nas mãos de uma externa galhardia
o prazer, o sossego e a inocência.
Enganei-me, cruel, com teu semblante,
e nada me admiro de faltares.
que esse teu sexo nunca foi constante.
Mas tu perdeste mais em me enganares:
que tu não acharás um firme amante,
e eu posso de traidoras ter milhares.
Enganei-me, enganei-me - paciência! - Tomás António Gonzaga
Marília de Dirceu
acreditei as vozes, cri, Ormia,
que a tua singeleza igualaria
à tua mais que angélica aparência.
Enganei-me, enganei-me - paciência!
ao menos conheci que não devia
pôr nas mãos de uma externa galhardia
o prazer, o sossego e a inocência.
Enganei-me, cruel, com teu semblante,
e nada me admiro de faltares.
que esse teu sexo nunca foi constante.
Mas tu perdeste mais em me enganares:
que tu não acharás um firme amante,
e eu posso de traidoras ter milhares.
Enganei-me, enganei-me - paciência! - Tomás António Gonzaga
Marília de Dirceu
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
SEM
...Eu queria uma tarde mais tranquila
sem a lembrança do abandono viva...
... passear entre as ruas de uma vila
sem ter mágoa na feição pensativa...
... Eu queria estar morto numa vala
ou o gosto suave de uma uva
na boca, deitado na minha sala,
um beijo molhado banho de chuva...
... Mas os astros vespertinos sumiram;
com eles a paz, a calma partiram
- tudo cinza - esta saudade sem cor -
... Paisagismos sem beleza sem luz...
... céus sem nuvens, tristezuras azuis...
Eu, aqui nesta tarde sem amor!
sem a lembrança do abandono viva...
... passear entre as ruas de uma vila
sem ter mágoa na feição pensativa...
... Eu queria estar morto numa vala
ou o gosto suave de uma uva
na boca, deitado na minha sala,
um beijo molhado banho de chuva...
... Mas os astros vespertinos sumiram;
com eles a paz, a calma partiram
- tudo cinza - esta saudade sem cor -
... Paisagismos sem beleza sem luz...
... céus sem nuvens, tristezuras azuis...
Eu, aqui nesta tarde sem amor!
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